terça-feira, maio 19, 2009


AAB, AGRA, ARC e tijolos

Jolivaldo Freitas

Um imbróglio sem tamanho. É para me dizer isso, assim, de chofre, que me liga, logo de manhã cedo, em jejum, remela nos olhos e as juntas travadas, um sócio e depois outro, e a seguir mais um, oriundos da Associação Atlética da Bahia; famosa Azulina, que já foi um dos clubes mais bonitos, charmosos e tirado a besta da Bahia – só perdendo em postura aristocrática para o Bahiano de Tênis, que, quando nos píncaros da glória, não deixava preto entrar nem pelas portas do fundo. Na AAB não era tanto assim, mas até a década de 80, babá só entrava com o bebê se estivesse vestida a caráter.

  O que os associados queriam me tirando dos braços (é mera figura de linguagem) do deus Morfeu? Me alertavam para a necessidade de se chamar a atenção de todos que amam a AAB – que vai do garçom Souza até o vice-prefeito Edvaldo Brito – que a vaca está indo para o brejo. O pote quebrou. O ovo gorou. O leite derramou. Ou seja: o novo clube empacou de vez.

  A ARC Engenharia e a AGRA estão deixando a obra em banho-Maria. Colocam um tijolo por semana – mesmo assim quando não está chovendo e já asseguraram que a verba acabou, a paciência acabou, aquele love todo do início das negociações acabou e, pronto... a obra acabou e quem quiser que vá se queixar ao bispo (que não é sócio) ou chorar no pé do caboclo, lá no Campo Grande.

   Para você leitora entender melhor a história: cerca de quatro anos (ou seriam cinco? Ou seriam três) não lembro direito, tanto tempo já se passou, a Associação Atlética da Bahia estava numa penúria só. Os associados que pagavam eram poucos, a dívida com o IPTU era grande e havia o medo de João Henrique desapropriar, como o fez com o Clube Português e devia-se ainda ao INSS e FGTS. O terreno, na Barra, onde fica (ficava?) o clube sempre despertou a usura das empresas do ramo imobiliário, por estar numa área privilegiada. Foi então que a presidência do Clube, com aprovação do Conselho, decidiu vender um pedaço para pagar as dívidas. Acho que foi uma bagatela de 13 milhões de reais o negócio.

   A Arc a Agra iriam construir três edifícios de primeira linha, como vem mesmo ocorrendo, e se comprometeram em contrato (um conselheiro me disse que o contrato caducou e eu não entendi como é que contrato fica caduco) a construir primeiro o clube. No início foi assim e uma parte da estrutura do clube foi feita. Mas, c agora está lá, quase que parado e pelo que se sabe as empresas querem mais grana. Coisa de uns 2 milhões de reais. Nem vendendo droga no Porto da Barra o clube consegue o valor.

   Já tem sócios pensando em invadir o que resta do clube. Já tem outros querendo embargar a obra dos prédios. Tem uns que acham que o Movimento dos Sem-Teto poderia dar uma mão, invadindo e aterrorizando a Arc e a Agra que garantiram entregar o clube pronto em junho do ano passado, depois jogou para dezembro. A seguir passou para maio deste ano, depois para julho, para agosto e já está indo para 2010.

  Pior, me dizem aqueles que me despertaram de um sono profundo, totalmente em Alfa, que a ARC está colocando a AAB na parede, literalmente. Embora tenham se comprometido a construir logo o clube e depois os prédios e estarem fazendo o contrário, agora querem pegar a última nesga do terreno, que restou: uma encosta. Ou dá ou desce.

  Eu mesmo não acredito que uma empresa como a ARC esteja fazendo uma besteira deste tamanho. Duvido. Ainda mais que nos últimos anos ela tem investido mais do que ninguém em uma estratégia de marketing que inclui man ter uma boa imagem para o mercado.

Deve estar ocorrendo uma falta de diálogo. Coisa de casal. Comunhão de bens. Mas, os associados querem uma resposta ou o pau vai comer. Tem uns cinco sócios advogados que estão sendo mantidos no estrangulador. Quando soltarem, valha-me deus! Não sai clube nem apartamentos tão cedo.

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4 Comments:

At 9:09 PM, Blogger Laura Oliveira said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 9:16 PM, Blogger Catarina said...

Jolivaldo, boa noite! Li hoje a sua coluna na Tribuna da Bahia e fiquei um pouco espantada com a forma que vc se referiu as obras da Associação Atlética, vc praticamente expressou só a sua opinião,baseada em que? Em boatos?Olha, eu como estudante de jornalismo acho que vc deveria ter ouvido primeiramente as duas empresas envolvidas na situação, pois como é que um jornalista ético e justo n ouve as fontes principais. Parece que este assunto atingiu seu lado pessoal, n sei se é morador da região, mas o que ficou parecendo foi isso. Bom, espero que as empresas possam se pronunciar com relação a este fato, pois são incorporadoras referências no setor imobiliário de todo o Brasil. Boa sorte!!!

 
At 12:00 AM, Anonymous Anônimo said...

É LAMETAVEL O QUE OCORRE, SOU SÓCIO REMIDO, ADVOGADO E CIDADÃO, NÃO ACREDITO NISSO, VOU VASCULHAR TUDO E SEJA O QUE DEUS QUIZER, QUEM TIVER ERRADO VAI SE VER COM A JUSTIÇA ECOM A POLÍCIA SE FOR O CASO AO APURAR-SE AS RESPONSABILIDADES.
É PRECISO ENTENDER QUE NO DIREITO A UNIÃO FAZ A FORÇA, MAS UMA ANDORINHA LÁ FAZ MUITO BARULHO.
QUE DEUS NOS AJUDE.
RENIVALDO G. LIMA FILHO

 
At 12:09 PM, Blogger cloves_cerqueira said...

Sra. Catarina,

esclareço o seguinte: Sr. Jolivaldo Freitas tem veias azulinas. Sim ..isto mesmo. Apesar da cor bronzeada, ele tem sangue azul. Quem, a não ser Joli, jogava tenis na AAB ao meio dia com sol a pino? Se não houvesse companheiro ele jogava contra o paredão. A quadra preferida dele era a de saibro. Eu, como tenista iniciante ao final da decada de 80, o tinha com grande admiração. Apesar de polemico, brigão, reclamão é um sujeito muito gente boa!
A defesa dele faz sentido. É uma relação de amor muito forte, pois ao meio dia com a temperaura em 35 graus, lá estava ele e sua raquete.
Quem quisesse encontrar Joli ao meio dia bastava ir para a AAB.
Lembrando os amigos da época: Assis, Milton Guerra, João, Abimael, Pedro portugues, aquele portugues que usava peruca,Pedro Silva...e outros que não lembro o nome, mas ele lembra.
Um abraço
Cloves Cerqueira

 

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