domingo, janeiro 25, 2009


OPINIÃO

 

Publicado em A Tarde - 24.01.2009

 MPE desmascara Maracajá

NESTOR MENDES JR.

 "Há homens que lutam a vida inteira e são imprescindíveis".

 Tomo os versos do dramaturgo alemão Brecht para saudar os membros do Ministério Público da Bahia. No fundo, são as vozes do cidadão, que, em geral, se sente impotente diante do sistema construído justamente para favorecer os poderosos - os políticos e os donos da grana.

 E, neste espaço, felicito a bravura do MP baiano na figura de dois dos seus integrantes, os procuradores Rita Tourinho e Carlos Frederico Brito dos Santos. Graças ao empenho e coragem pessoal dos dois, caiu oficialmente um dos maiores "muros" da Bahia: o que ocultava, embora até mesmo todas as pedras seculares do Pelourinho soubessem, a dupla função de Paulo Virgílio Maracajá Pereira.

 Sem meias-palavras, o inquérito civil, instaurado pelo MP estadual em junho de 2008, concluiu que o conselheiro exercia paralelamente à função pública a "atividade clandestina de cogestor de uma instituição privada, no caso o E.C. Bahia". "Utilizando-se de 'testas-de-ferro' que atuam como 'gestores de fachada', o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Paulo Maracajá, exerce, de fato, a gestão do Esporte Clube Bahia, em violação à Lei Orgânica dos Tribunais de Contas do Estado da Bahia e afrontando princípios constitucionais da administração pública, especialmente os da legalidade e da lealdade às instituições", apontou o relatório do MPE.

 As acusações e provas, em sua grande maioria, foram produzidas pelo próprio "eterno presidente" ou, para alguns, "grande coveiro", do Bahia. Escudado na impunidade e, também, na capacidade que tinha em comprar as vozes de alguns radialistas, o investigado não se dava nem ao trabalho de esconder suas atitudes. É o típico caso em que o processo é mais uma peça de autoacusação.

 Em depoimento para o livro Bora Bahêeea!, do jornalista Bob Fernandes, publicado em 2003, Maracajá debochava: "Existem, em todos os setores, os bons e os maus. Existem excelentes dirigentes e maus dirigentes. Cada um deve pagar por aquilo que fez. Todos os dirigentes, que são homens públicos, têm de ter sigilo bancário quebrado, têm de ser investigados, têm de informar o patrimônio... Daria em branco. Homens públicos têm de estar sujeitos a perguntas, a investigações". Quando, enfim, por conta deste inquérito no MPE, a Justiça baiana determinou a quebra do seu sigilo bancário e fiscal, ele mudou de opinião, impetrando um mandado de segurança e obtendo uma medida liminar para impedir a investigação de sua vida financeira.

A conclusão do inquérito do MPE não deixa dúvidas: "O grau de intromissão do agente público Paulo Maracajá na administração do E.C. Bahia é realmente colossal, a ponto de podermos afirmar que, com um 'aficionado' tão onipresente e dedicado, o clube não precisaria de presidente...". Cópia do inquérito civil foi encaminhada para o TCM e para a Promotoria de Justiça de Combate à Improbidade Administrativa.

___________ ❚ Jornalista, autor de Bahia Esporte Clube da Felicidade - 70 Anos de Glórias

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5 Comments:

At 1:19 PM, Anonymous Jorge Roriz said...

A certeza da impunidade era tanta que Paulo Maracajá nada escondia. Parabénizo a promotora Rita Tourinho que sempre foi motivo de orgulho para a verdadeira justiça baiana. Ela trabalha em defesa da lei e não de interesses políticos. Brava guerreira. http://www.jorgeroriz.com

 
At 1:59 PM, Blogger Ronaldo Esteves said...

Parabéns ao MPE. Muito criticado, mas a nossa força nessa Justiça baiana covarde e corrupta.

E esse cara-de-pau do Maracajá: quando nos deixará em paz?

 
At 2:31 PM, Blogger Paulo Dahia said...

Maracajá enfim arranjou um osso duro de roer. Parabéns ao MPE e ao jornalista Nestor Mendes.

 
At 2:53 PM, Blogger José Luiz Castro Lima Filho said...

Esse Maracajá é o cara que enterrou o meu Bahia!

Xô, Maracajá!

 
At 5:03 AM, Blogger Jorge Ubaldo Veloso said...

Felizmente o Ministério Público fez a sua parte: desmascarou o fantasma do Fazendão. Agora, só depende da Justiça baiana.

 

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