sábado, novembro 24, 2007


Audiência pública discute crise da Ucsal. MPF convoca reitor

A crise que se instalou na Universidade Católica de Salvador, Ucsal, novas informações sobre o desvio de R$ 36 milhões da entidade, e a denúncia de pagamento a uma procuradora aposentada e a funcionários do INSS para o cancelamento de um débito previdenciário da faculdade, de cerca de R$ 55 milhões, são itens que serão debatidos nesta segunda-feira, dia 26, às 9 horas, durante audiência pública promovida pela Câmara Municipal do Salvador. O debate, para o qual foram convocados o cardeal dom Geraldo Majella, o reitor da Ucsal, José Carlos Almeida, professores, alunos, sindicato, Ministério Público Federal, (MPF), Ministério Público Estadual, (MPE), e representantes do INSS, está sendo promovido pelo vereador Virgílio Pacheco, PPS, economista e professora da Faculdade de Economia da Ucsal, e presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, em parceria com as vereadoras Vânia Galvão, (PT), presidente da Comissão de Cidadania, e Olívia Santana, (PC do B), presidente da Comissão de Educação e Cultura. 

Informações solicitadas pelo Ministério Público Federal, que quebrou o sigilo bancário de vários acusados, e só recentemente liberadas pelo Banco do Brasil, BB, tornaram evidentes diversas operações que serão alvo de novas investigações.

Por conta destas novas informações, o reitor da Católica já foi convidado pelo MPF para prestar depoimento, no dia 5 de dezembro.

Neste momento, os professores da Ucsal estão em estado de greve por causa de decisão do reitor de reduzir os salários em 25%, com o esquema de diminuir a carga horária, mas aumentando o número de aulas em cinco semanas.

MPF TEM NOVAS INFORMAÇÕES

De acordo com os dados apurados pelo MPF, a Ucsal teria pago R$ 1,5 milhão a uma procuradora aposentada do INSS, para montar um processo administrativo e extinguir a dívida da instituição, de R$ 55 milhões, com a Previdência. Cerca de 12 horas depois desta contratação, a dívida estava extinta. Uma funcionária do INSS, já demitida a bem do serviço público, teria recebido da procuradora contratada pela Ucsal dois cheques de R$ 400 mil para agilizar o cancelamento da dívida.

 No entanto, a Ucsal havia criado um fundo para o pagamento da dívida, e havia amealhado cerca de R$ 36 milhões, dinheiro que acabou desviado.

Para o vereador Virgílio Pacheco, as evidências são muitas e robustas. "A crise da Ucsal não pode mais ser resolvida intramuros. Tem que ser discutida com a sociedade".

PATRIMÕNIO

O vereador destaca que o objetivo da audiência não é malhar a Ucsal, e explica que "a Ucsal é uma instituição da maior importância para a sociedade baiana e brasileira. É um patrimônio dos baianos, que precisa ser preservado. O que nós queremos é esclarecer os fatos, afastar os responsáveis e restaurar a importância da faculdade e de sua missão". O que se espera, disse ele, é encontrar alternativas que possam contribuir para a recuperação da faculdade.

Virgílio Pacheco analisa que a crise da Ucsal reflete o quadro de falência da educação e a depreciação do ensino superior. "O problema é que muitas faculdades têm surgido, mas o ensino não tem melhorado. Hoje temos faculdades em quase todas as esquinas, porém, perdemos muito em qualidade", disse.

O vereador afirmou ainda que a recuperação da Ucsal deve ser de interesse de toda a sociedade e que, por isso, convida a todos, envolvidos e interessados, para o debate onde os problemas deverão ser analisados. "A nossa intenção não é denunciar e, muito menos, provocar polêmica a respeito do assunto, a nossa pretensão é analisar, debater, discutir o assunto para que possibilidades de recuperação possam ser encontradas", reafirmou.

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